
EDITORIAL
Para a pesquisa, o momento que vivemos é de perplexidade e desencanto. Os escassos cenáculos que se dedicam ao estudo dos grandes dilemas sociais e científicos e as publicações que divulgam seus resultados representam, cada vez mais, exceções nunca desejadas no campo investigatório. Não sabemos exatamente para onde vamos. Com alguma segurança, temos apenas a constatação de que a história nos trouxe até este ponto. E daí? É muito pouco contentar-se com "estar", sem "ser". O comodismo e a estagnação grassam em todos os setores. Para nossa consternação, informação recente nos deu conta dos inúmeros cursos de mestrado fechados pelo MEC, por falta de nível técnico. Por este prisma, uma conclusão parece ser clara: se a humanidade quer ter um futuro certo e com garantias, não pode ser pelo prolongamento do presente. E é por nos alimentarmos diariamente do tormento de saber pouco que não temos a faculdade do descanso, ou a prerrogativa da acomodação, e, como expiação, sempre nos deverá ser negado o direito de viver em paz, até que adotemos uma nova postura. A correção da atual rota a caminho do nada é necessária e urgente, e a alternativa de mudanças que se nos apresenta não pode ser desperdiçada. A assunção de compromissos definitivos com o estudo equivale a um pacto com o futuro que não pode nem deve esperar mais. Na tentativa pioneira de criar um centro de recepção, triagem e divulgação da produção científica acadêmica e não-acadêmica, é que a revista Faficop Científica nasceu e ora é trazida a público. Sobre sua gênese, indispensáveis são alguns esclarecimentos. Desde o ano passado, tão logo foram implantados os cursos de Mestrado na FAFICOP é que, paralelamente, surgiu a idéia de se editar uma revista que abrisse espaço para abordagens, na área da produção científica. A iniciativa encontrou, de imediato, dificuldades naturais, começando pela definição das coordenadas mestras para a linha editorial, fazendo demorada escala na seleção de colaboradores e trabalhos apresentados, concluindo pela definição de seus destinatários. Sublinhe-se que os obstáculos sempre estiveram aliados à solução de problemas técnico-formais de estruturação. O bom senso indicou a linha editorial a ser seguida: inclusão de trabalhos do corpo docente e discente da Faculdade, em todos os níveis, de convidados de outros meios acadêmicos e de membros da comunidade e região. E nesse perfil, buscou traçar um espectro amplo de participação e divulgação, tendo como tônicas principais, além do indispensável nível dos artigos, também seu ecletismo. Entre outras, a possibilidade de franquear uma tribuna para o debate - via publicação sem restrição de procedência, pautada pela qualidade e atualidade - foi a motivação que orientou os passos iniciais e a posterior caminhada da Faficop Científica, hoje, uma realidade. Hora e lugar se conjugam para um indispensável registro: o empenho e o incentivo da Diretora da FAFICOP, professora Rosemírian Martins e do professor Pedro Paulo Barbosa Resende, Presidente do Instituto de Ensino, Pesquisa e Extensão-IEPE, foram os estímulos responsáveis pelo nascimento da Revista. A eles, o agradecimento da Faficop Científica, Conselho Editorial e Núcleo de Apoio Técnico. É ainda de inteira justiça, deixar consignada a importância dos trabalhos recebidos para publicação. Os textos e o elenco de colaboradores compõem um eloqüente atestado qualitativo que fala por si mesmo. Os trabalhos deste primeiro número, com origens, contextos e linhas de pesquisa as mais variadas, acabaram por se entrelaçar ao longo da Revista, formando uma tapeçaria de fios harmônicos e invulgar tessitura, que emprestaram um colorido especial ao conjunto e trouxeram como resultantes o salutar aclaramento de muitos pontos obscuros, aliado às pragmáticas sugestões de mudanças operacionais no âmbito das sempre dinâmicas e multifacetadas relações humanas. Nesta edição de lançamento - dividida em Teorias, Ensaios e Palestras, Notas e Informações e ainda Comunicações sobre Dissertações e Teses - o leitor encontrará: uma idéia do que é o fenômeno da pressuposição, como recurso que possibilita a interlocução, nas reflexões de Edenir Haddad Santos; qual é a representação da realidade no romance de ficção e sua relação com o romance-folhetim, na análise de Wanderléia da Silva Oliveira; em campo mais técnico, qual é o efeito do Bacillus Subtilis e dos fungicidas químicos na sanidade da semente de soja, nos estudos de Irene Batista Pedrozo de Oliveira; um breve estudo sobre os contratos aleatórios, nas pesquisas deste Editor; uma visão aligeirada - mas precisa em seus contornos - sobre o Direito das Obrigações, por meio das judiciosas informações de Nely Lopes Casali; uma decisiva contribuição para o intercâmbio de informações entre o Marketing e a Contabilidade, por via do confronto de informações subjetivas e objetivas, nas linhas de estudo de Edson Dias; alguns eruditos e sólidos apontamentos sobre os contratos de seguros, em total abandono pela ordem jurídica e econômica, nas argumentações precisas de Ernesto Tzirulnik; ou, ainda, como o cinismo e a arrogância dominam a informação, representados pela figura do gato Garfield, nas sempre admiráveis análises de Jair Ferreira dos Santos; uma visão analítica dos grandes mestres Virgílio e Camões, nas considerações de Marilu Martens de Oliveira, e as dificuldades do economista numa sociedade globalizada, discutidas por Guilherme Gallieni De Andrade Cabral. Ao final, os fios entrecruzados e fortemente entrelaçados receberam arremate nas importantes informações de como a psicopedagogia vem ocupando espaço na hospitalização infantil, baseadas em experiência local, nas atentas observações de Ivaní Carvalho Amorim Oliveira; de Adálcia Canedo da Silva Nogueira e Marli Pedrina Zanini, sobre a atuação da FAFICOP no Programa de Alfabetização Solidária, e dos professores Reinaldo Simões de Almeida, João Leli e Dora Pimenta Dantas, estabelecendo indispensáveis coordenadas metodológicas a quantos se proponham a ingressar nas sendas da investigação científica. A prática nos tem ensinado que dificilmente se podem obter bons resultados apenas com o produto do trabalho isolado, por mais dilatadas que tenham sido as fronteiras do esforço individual. Neste passo, decisivas foram as colaborações da professora Maria Suely Fernandes da Silva (revisora de língua portuguesa e francesa), do professor Newton de Camargo Braga (diagramador e revisor de língua inglesa) e ainda do professor Reinaldo Simões de Almeida - nossa autoridade nos intrincados meandros da ABNT - responsáveis pelo Núcleo de Apoio Técnico da Faficop Científica, e ainda a atuação de seu Conselho Editorial, composto pelos professores Irene Batista de Oliveira Pedrozo, Edenir Haddad Santos, Marilu Martens de Oliveira e Onofre Ribeiro de Almeida e este Editor. A todos os envolvidos, o reconhecimento e a gratidão da comunidade acadêmica. Ao término desta primeira etapa, o Conselho Editorial da Revista agradece o pronto atendimento demonstrado por seus colaboradores e, na expectativa da receptividade desta publicação, espera ter lançado sólidos alicerces para a criação de um fórum de debates, divulgação e, principalmente, confronto de idéias, há muito merecido por nossos meios acadêmicos. Boa leitura. Nelson Borges Editor

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