P O E S I A S |
Preguiça: A Performance
É um olho Meio aberto São dois olhos Mal despertos Pra direita Cai ao lado Um dos braços Descansado Um suspiro Inaudível Tão baixinho Fragilzinho Mas de mansinho Se instaura. Ana Krüger  | Ordinária Compulsão
Trabalha, trabalha, trabalha Cara-pálida acelerado Espalha por aí, o seu suco concentrado de temores do futuro, de necessidades de ter e possuir, da segurança do maduro e da recusa de receber e dividir o que só a magia da infância pode nos suprir. Programa o que fazer e como reagir no seu insípido mundo sem surpresas, no qual, sorrir sem intenções egóicas, é postura improvável gerir. Na busca desenfreada do estagnado conforto não percebe o aroma morno da madrugada nem a beleza mística do corpo, que simples e básico em suas urgências carece somente do ar, da terra e do mar e não do luxo pouco ou do status quo que lhe nega a trégua para que se faça vivo o potencial divino do Ser vir a ser o que já é. Ana Krüger  |
Ao coveiro que violou meu corpo
O corpo frio cheirando a morte O segredo da vida estava ali ainda preso a um resto de plasma
entre duas idéias, dois planos (não consegui desvendar este último pensamento...) Estava tão perto da resposta da pergunta da vida inteira Meia vida guardei para questionamentos alguns esperavam por eles uma existência outros deles desfaziam-se pelos que vinham e eu achava ter escondido em algum lugar a exata resposta que, em mais ou menos dia, emergiria de algum lugar da alma Fui um degrau acima Abaixo O corpo frio cheirando a morte (olhos abertos possuíam vida?) e sem o consentimento um manto quente, saliva viva desfez-se o nó nos pés uma perna para cada lado Talvez tivesse me possuído mais que qualquer outro Eu o levei à minha cova para sempre sem consentimento. Érica Lacerda 
| Júpiter
Lembra aquela lua que iluminou o sangue que entreguei pra você? Mais de cinqüenta vezes eu a vi morrer mas meus olhos permaneciam extáticos nadavam as pupilas, translúcidas vermelhas nas lágrimas hemorrágicas que verteram pelas cinqüenta luas (Só se jura amor uma vez) (É a promessa mais cara, paga-se com a eterna busca do mesmo amor) Júpiter separou-me verticalmente o vazio entre as duas partes parece pequeno permanecem independentes seio esquerdo do direito olho direito do esquerdo. Da cabeça aos pés, seu corte quase invisível não há cura, nem cicatriz a idéia da vontade de viver as sustenta. Atravessou mais de cinqüenta luas o duelo com a lembrança do decepar; decepção. Não se pode estar imune à dor que tem na metade, a face da morte e que nasceu da melhor face da vida, que não sabe ir embora Quase morta cinqüenta luas (lembra aquela lua? Ela foi o sol que se recusa a renascer) A tortura de mim mesma puniu-me pelo pôr da lua
Eu, Vênus, meu carrasco, sobrevivia, precisava de mim para lutar por você. Érica Lacerda  |
Soropositivo
sem nome sem pátria, sem história ninguém sabe de onde veio do norte, do sul ou do estrangeiro quem sabe? sem nome nos hospitais, isolado, perdido sem identidade excluído pelo preconceito não o racial o humano sem nome sem cultura, nem sonhos ali está ele sem ter ninguém para segurar-lhe a mão em seu último suspiro está só e continua sem nome. Porque nós o deixamos assim... Manoelita  | A Razão me tira os sentidos
A Razão me tira os sentidos Ao pensar que ao viver além De minha própria natureza Posso perder tempos vividos Então sofrer por ver-me sem Vestígios vis de vã beleza. Se minhas horas me ajudassem A socorrer esses feridos Desses batalhões de defesa Que, se nessa guerra lutassem, Extinguiriam a pureza E fariam mais inimigos. Já nos perdemos na riqueza Ilusão, sonhos enfadados. Nosso viver tornou-se nuvem Que cega e vence com destreza O vigor que já é ferrugem De corpo e alma entrelaçados. Tatielly Storel  |
Ideologia
Janelas e portas: Abertas, fechadas, semi-abertas Ações, idéias Desencadeadas Perspectivas reveladas Busca, ansiedade Barradas Perspectivas desapontadas Vontade, alienação Manipuladas Perspectivas equilibradas Janelas e portas: O ser humano é limitado. Michelle Alessandra 
| Canta, encanta
Canta, encanta, busca n'alma os desejos de conquista, procura, sonha, idealiza, vive, sofre, ama, deseja, morre... Aos poucos se levanta, caminha, encontra-se nas forças do infinito, começa de novo. Canta, encanta.
busca.......
Gilberto Mensato  |