Objetivos

 

  • formar e organizar o setor de serviços especificamente no turismo;
  • educar e conscientizar a preservação ambiental evitando a degradação, o desmatamento e o assoreamento dos rios e ribeirões;
  • fixar o homem na terra através do empreendimento por indivíduos por iniciativa própria, privada, pública e da comunidade pela participação em programas de políticas públicas. Inclui pessoas desempregadas, com escolaridade, experiência de subemprego e emprego informal;
  • facilitar o resgate da noção de cidadania, melhora da renda, da saúde física (caminhada) e psicológica (auto-estima) e das bases de convivência social;
  • melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) que está insatisfatório.

O conceito de desenvolvimento regional abrange o “Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que considera três fatores: longevidade, educação e renda per capita. Nesta abordagem, fica clara a dimensão econômica do desenvolvimento” (CLEMENTE, 2000, p. 130-1 e 136-7). Na seqüência, a elaboração de uma proposta de política pública para a redução da vulnerabilidade social no que diz respeito o IDH-M, “lembrando que esse índice mede o nível de educação, longevidade e renda tendo como valor para análise entre 0 e 1, dividido em intervalos, isto é, quanto mais próximo de 0, menor o IDH e quanto mais perto de 1, maior o IDH. No intervalo de 0 a 0,499 diz-se que existe desenvolvimento humano baixo, entre 0,500 a 0,799 médio e acima de 0,800 é considerado alto” (COSTA, 2007).

A Tabela 1 mostra o perfil do município de São Jerônimo da Serra. O IDH-M é diagnosticado como médio, com sensíveis melhoras entre 1991 e 2000, mas alarmante, pois está próximo do nível baixo.

TABELA 1 – IDH-M do Paraná e de São Jerônimo da Serra (1991 e 2000)

FONTE: IPARDES (2008)

A nota espantosa é que o Paraná possui 399 municípios e São Jerônimo da Serra passou da posição 377ª, em 1991, para 384ª, em 2000, no ranking do Estado mesmo melhorando seu IDH-M (geral, longevidade, educação e renda).

A Tabela 2 fornece o Produto Interno Bruto (PIB) e o PIB per capita da urbe em estudo.

TABELA 2 – Produto Interno Bruto e PIB per capita de São Jerônimo da Serra

FONTE: IPARDES (2008)

Houve um aumento considerável da renda per capita em 20,5% e 19% no PIB. Isso promove a elevação do IDH-M no próximo censo no conceito renda e talvez realoque a posição ao ranking de 1991, que por sinal é insuficiente. Com reforço a esse argumento, Lourenço (2005, p. 9) escreve que

é conveniente ter presente que nem sempre as grandezas, PIB total ou per capita, expressam a disponibilidade de potencialidades econômicas ou de qualidade de vida das populações locais, a não ser quando são fruto da combinação entre expansão da renda e da população e, por extensão, dos níveis de emprego. Em certas situações, a implantação e consolidação de atividades com parâmetros assimétricos de agregação de valor e de absorção de mão-de-obra pode provocar inclusive o fenômeno de impulsão da renda e de expulsão de população, bastante comum em municípios de pequeno porte, especializados na exploração agrícola de subsistência e/ou desprovidos de infra-estrutura. [grifo meu]

São Jerônimo da Serra enquadra-se perfeitamente em tal descrição. As Tabela 3 e 4 ilustram os indicadores sócio-econômico do município e os dados por si só direcionam o futuro da urbe.

TABELA 3 – Indicadores de São Jerônimo da Serra

FONTE: IPARDES (2008)

A Tabela 3 evidencia alguns índices alarmantes. Excetuando IDH-M uma vez que fora comentando na Tabela 1 e destacando dois dos demais anunciados para evidenciar a situação. Primeiro o Coeficiente de Gini, que mede a concentração da renda, que varia de 0 a 1, sendo quanto mais próximo de 1 pior a desigualdade. Contudo, o índice auferido (0,590) é preocupante pois tende a concentrar a renda a medida que avança; no mínimo era de se esperar que fosse inferior a 0,5 (na pior das hipóteses!). O segundo é em relação à taxa de crescimento da população, o número negativo não é devido à redução do índice de natalidade ou da redução índice de longevidade de vida, mas sim do efeito migração para grandes centros em busca de oportunidades de emprego e renda melhores. Infelizmente a comuna deste estudo está com uma população cada vez mais idosa o que agrava ainda mais a situação.

TABELA 4 – Área social de São Jerônimo da Serra

FONTE: IPARDES (2008)

Destacam-se na Tabela 4 as pessoas em situação de pobreza* e a população economicamente ativa (PEA) que refletem em 51,3% e 46%, respectivamente, da população censitária.

Metodologia

 

A proposta de educação ambiental em forma turística vem ao encontro da preservação e autogestão, interdisciplinaridade, aprendizado mútuo e indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão. A conscientização e o contato com a natureza é a mola propulsora deste processo, pois o conceito abrange diversos aspectos técnicos, econômicos e sociais da relação homem versus meio ambiente.

O turismo é o processo de fomento e acompanhamento de empreendimentos econômicos e coletivos por meio da formação prática dos estudantes e apoio à estruturação da gestão, até que se tenham condições para se sustentar de forma autônoma.

A estratégia de turística propõe a exploração consciente das cachoeiras e cavernas do município de São Jerônimo da Serra e passa a desenvolver arranjos políticos, econômicos, sociais, culturais e educacionais, buscando fomentar a intercooperação e a troca de experiências, articular as potencialidades locais, de infra-estrutura, capacitação, demanda e consumo local. Ainda busca criar estratégias para que, no início, a divulgação seja escoada em um mercado promissor.

A pesquisa se desdobrará em:

  • criação de equipes;
  • apoio através de parcerias;
  • equipe multidisciplinar de um grupo de professores de várias áreas, bolsistas e profissionais recém formados;
  • projeto educacional: conscientização da sustentabilidade através do turismo, cartilhas e folders;
  • coleta de dados na forma primária: levantamento de dados;
  • deslocamento as cachoeira e cavernas;
  • formulário: formação de relatórios parcial e final na forma de análise dos dados e desempenho;
  • gerar experiência para bolsistas e para a população participante do projeto;
  • obras bibliográficas: a partir de obras referenciais que serão abordados conceitos afins;

A interdisciplinaridade é, portanto, outro princípio norteador do trabalho do núcleo de gestão. Dele participam pessoas com formação nas diversas áreas, buscando socializar e intercambiar conhecimentos específicos e analisá-los sob o ponto de vista de outras áreas do saber, quebrando a compartimentalização clássica da Universidade que pode ser útil para fins didáticos e de aprofundamento, mas não pode perder o sentido dentro do todo abrangente e complexo que compõe a realidade.

Resultados esperados

 

  • condições de sustentabilidade do projeto após o período de incubação;
  • reversão da tendência de uma economia "sem" objetivo de médio e longo prazo de desenvolvimento para uma economia solidária de curto prazo;
  • perpetuação de políticas públicas frutíferas e prósperas na ordem econômica social;
  • geração de forma alternativa de renda e trabalho, consciência ambiental e qualidade educacional a partir da sustentabilidade;
  • respeito e educação assim como a preocupação com o bem-estar;
  • pulverizar o pensamento dos cidadãos a partir desses ideais;
  • espraiamento da gestão ambiental aos populares;

Se a hipótese de espraiamento estiver correta, os desequilíbrios regionais tenderão a diminuir espontaneamente com o passar do tempo, e as regiões menos desenvolvidas aos poucos se aproximarão dos padrões das regiões adiantadas. Se entretanto, a hipótese de dominação estiver correta, os desequilíbrios tenderão a se exacerbar com o passar do tempo e as regiões atrasadas se distanciarão cada vez mais das regiões desenvolvidas [grifo meu] (CLEMENTE, 2000, p. 130-1 e 136-7).

Referências

 

AMUNOP – Associação dos Municípios do Norte do Paraná. Disponível em . Acesso em jan. 2008.

CLEMENTE, A. Introdução à Economia do Meio Ambiente. In CLEMENTE, A.; HIGACHI, H. Y. Economia e Desenvolvimento Regional. São Paulo: Atlas, 2000.

COSTA, R. D. Mineração e industrialização de ferro e impactos ambientais. Maringá, 2004, 170 f. Dissertação (Mestrado em Teoria Econômica) - Universidade Estadual de Maringá.

______. Coletânea de Artigos de Economia. Cornélio Procópio: [s.n.], 2005.

______. A importância dos indicadores de desenvolvimento dos municípios da Amunop. Cornélio Procópio: [s.n.], 2007.

LOURENÇO, G. M. A dimensão econômica dos municípios brasileiros. Análise Conjuntural. Curitiba, v. 27, n.5-6, p., mai/jun 2005. Disponível em . Acesso em 16 abr 2007.

IPARDES – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social. Disponível em . Acesso em 15 maio 2008.

POUSADA Caminho das Águas Mansas. Disponível em . Acesso em 21 mai 2008.

SCHUMPETER, Alois Joseph. Capitalismo, Socialismo e Democracia. Rio de Janeiro: Zahar, 1984.

SPOLADORE, A; COTTAS, L. R. Os Atrativos Naturais de São Jerônimo da Serra, PR. Revista Estação. Universidade Estadual de Londrina, n. 1, nov 2002. Disponível em . Acesso em 20 maio 2008.

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* Destaca-se a comunidade indígena.