Campus de Cornélio Procópio

22 de dezembro de 2010

O Som da História: Depoimento de Oscar Dantas

Um dos primeiros médicos a chegar em Cornélio Procópio

Oscar Dantas nasceu em 1908, na cidade de Senhor do Bonfim, interior da Bahia. Muito inteligente, formou-se pela Faculdade de Medicina de Salvador. Chegou ao distrito de Cornélio Procópio em 1933, vindo da Fazenda Matarazzo, administrada por seu amigo, Américo Ugolini.

Foi o primeiro médico residente e a todos atendia, ocasionalmente percorrendo longas distâncias a cavalo para exercer sua profissão na zona rural, predominante na época. Casou-se em 1935 com Djalma Pimenta, filha de pioneiros, sendo abençoados com quatro filhos: Oscar, Diva, Lúcia e Dora.

Em 1938, Dr. Oscar, juntamente com José Tavares Paiva e Américo Ugolini, pleiteou e conseguiu a emancipação política de Cornélio Procópio junto ao Interventor Manuel Ribas, em Curitiba. No dia 18 de janeiro de 1938, foram assinados os decretos criando o município e elevando a cidade à categoria de comarca, desligando-se de Jataizinho.

Oscar Dantas foi cidadão ilustre e muito ativo:

– vereador na novel Câmara de Vereadores;

– fundador e presidente da Associação Atlética e Recreativa de C. Procópio;

– membro-fundador do Rotary Club Cornélio Procópio, em 1940, tendo ocupado todos os cargos diretivos, inclusive o de Presidente e de Governador do Distrito 463 no biênio 61/62, sendo um dos rotarianos mais respeitados e queridos dentre os clubes paranaenses e mesmo do Brasil; em sua gestão, construiu a sede social da Casa da Amizade das Senhoras de Rotarianos que, apropriadamente, se denomina Edifício Oscar Dantas;

– Diretor e Médico Honorário da Santa Casa de Misericórdia;

– Delegado de Higiene, de 1934 a 1938, e médico do Centro de Saúde, desde 1950; a partir de 1954, passou a exercer a função de Chefia do 18° Distrito Sanitário de Cornélio Procópio, até 1984, dedicando-se a este cargo com muito zelo e carinho, dando o melhor de seus esforços em pról da saúde de seus concidadãos;

– ajudou a fundar o Aero Club, tendo sido Presidente e ali se brevetando, foi sócio-fundador da Cooperativa de Cafeicultores, do Sindicato Rural e do Country Club de Cornélio Procópio.

Em 1975, recebeu o título de Cidadão Honorário Procopense e, em 1976, o de Comendador da Cruz de Mérito Jurídico e Social, outorgado pelo Centro de Estudos de Ciências Jurídicas e Sociais de São Paulo.

Oscar Dantas enfrentou a vida de frente, sorrindo e com coragem, sabendo fazer das horas negativas um trampolim para as horas positivas, sempre dando lições de otimismo e esperança. O que mais lhe agradava e alegrava era a família reunida.

Seu hobby era a literatura – gostava de ler e de escrever – e a música; como a própria música, seu gosto não tinha fronteiras: ia desde a música jovem até a saudosista. Adorava – como bom baiano que era – dançar, festas, bailes, carnavais e viajar.

Faleceu em 12 de setembro de 1987, deixando como exemplo de vida, o otimismo constante, a alegria, a bondade, o companheirismo e o positivismo de suas atitudes ao encarar qualquer dificuldade.  

Com texto gentilmente fornecido pela Profª Dora Dantas,
e informações de Cornélio Procópio: das origens e da emancipação do município, livro do Prof. Átila Silveira Brasil

Extrato do primeiro artigo da série

O concurso cultural Origem e Criação do Município de Cornélio Procópio, de 1976, foi vencido pela estudante universitária Ana Maria Marques da Silva, do curso de Letras Anglo-Portuguesas. Seu trabalho vencedor trazia a transcrição dos depoimentos de sete pioneiros: Ébio Ferraz de Carvalho, Galdino de Almeida, João Teodoro, Hanne Massud, Antônio Marques Jr., Américo Ugolini e Oscar Dantas.

Clique aqui para ler o primeiro artigo


Oscar Dantas

Depoimento do pioneiro Oscar Dantas

Depoimento de Oscar Dantas, obtido por Ana Maria Marques da Silva, em 12 de janeiro de 1976. (Dur. 13'55")

Foto: Das Origens e da Emancipação do Município

Foto: Das Origens e da Emancipação do Município

Foto: N.C. Braga

Praça Brasil, em 2010 – Foi o prefeito Francisco Lacerda Jr. que tomou as primeiras medidas para a organização da Praça Brasil, depois que foi desmontada a igreja desocupada; o prefeito seguinte, Pedro Mariucci (1951-1955), completou a obra, ajardinando e implantando o Marco Zero do início da formação da cidade. Bela época, quando um prefeito melhorava a obra que seu antecessor havia feito, ao invés de destruí-la. (Por sinal, o Marco está completamente abandonado, maltratado e sem nenhuma placa indicativa, deixando ao descaso uma importante peça histórica de nosso município).

Excerto de A Praça Brasil - um legado da cidade de C. Procópio, monografia do Prof. Joaquim Marques Bomfim

 

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